domingo, 12 de julho de 2009

Maravilhas da tecnologia

Considero-me uma típica apreciadora de música - e aprecio muito. Mas, por enquanto, ainda sou daquele tipo que não toca nenhum instrumento, nunca li um livro de teoria da música (nem para iniciantes), não entendo a escala musical e suas variações e nem ser como se lê cifras, quem dirá partituras. O único contato com produção musical que tive foi uma tentativa frustrada de aprender a tocar baixo e uma única música que compus no Froot Loops (e quem conhece o programa sabe que não é preciso conhecer muito de teoria pra compor nele, basta força de vontade, paciência e o mínimo de intuição).

Pois bem, depois dessa apresentação quase constrangedora posso chegar ao ponto onde queria. Há algum tempo descobri um aparelho que não consigo tirar da cabeça: o Tenori-on. É um aparelho que produz música através de 256 leds distribuídos numa base quadrada, ou seja, 16x16 leds. A intenção é que a música seja produzida de forma intuitiva, bastando aprender a lógica dos sons que ele emite e dispensando qualquer teoria complexa. Já acho esse princípio bastante atraente, mas não para por aí. Os Leds são ao mesmo tempo botões e display. A medida que você os seleciona e vai criando a música, eles vão acendendo e criando um efeito visual que transparecem dos dois lados da base. É uma forma de transformar as ondas da sua música em experiência gráfica e dinâmica. Além dos 16x16 leds, existem seis modos diferentes que ao serem selecionados modificam os sons e as luzes, o que faz com que a possibilidade para um arranjo que não repita nenhuma nota (ou seja lá qual é o termo técnico pra isso) seja de (16x16x6 = 1536) MIL QUINHETOS E TRINTA E SEIS sons! Ele permite a criação de 16 canais diferentes, armazena os canais na memória e pode ser programado para repetir na quantidade de vezes que a música permitir ou até em loop contínuo e todas elas podem ser tocadas juntas, sincronizadas ou não. Enfim, eu poderia escrever mais algumas boas páginas sobre todas as funções e maneiras de armazenagem que ele comporta como gravar vocal e a possibilidade de copiar musica dentro de musica, mas vou deixar o vídeo explicativo da própria Yamaha que com certeza é bem mais interessante e de fácil compreensão.

E claro que não deixaria de colocar uma música feita no Tenori-on. Quem toca/canta é a Victoria Hesketh do Little Boots fazendo uma versão de Ready for the Floor de Hot Chip.

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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Mino Carta

Não acho que blog seja lugar de colar conteúdos, acho que é o espaço que se tem para produzir algo próprio. Mas não posso deixa de querer mencionar o que li a pouco no blog do Mino Carta – diretor de redação da carta capital (além de já ter dirigidos as equipes criadoras do Jornal da Tarde e das revistas Quatro Rodas, Veja, IstoÉ e CartaCapital).

Então, poderiam m dizer, por que você não escreve o que leu com as próprias palavras?

Sinceramente, eu responderia, eu não chegaria nem aos pés de um texto desses com minhas próprias palavras. Por tanto, está aí o conteúdo copiado, mas devidamente creditado!


http://www.blogdomino.com.br/

Dia 07/10 - A Coisa Nossa

Segundo o presidente do Supremo Tribunal Federal, a reportagem de capa da CartaCapital que lhe desnuda as mazelas é obra de “pistolagem”. Ocorre-me uma dúvida, a seu modo atroz: será que o nosso varão de Plutarco tem familiaridade com pistolas? Creio que melhor entenda de lupara, a espingarda de cano serrado em uso na máfia siciliana. Aliás, já disse das semelhanças entre Brasil e Sicília nos blogs de Paulo Henrique Amorim e de Bob Fernandes, que me procuraram depois da reação de Mendes publicada pelo O Globo de sábado passado. Lá é Cosa Nostra, aqui Coisa Nossa. A máfia siciliana conta com a lei do silêncio imposta ao povo, a trágica omertá, que engole e cancela as ações criminosas cometidas pelas famiglie malavitose. Aqui o estrondoso silêncio é praticado pela mídia, na certeza de que o fato não ocorre se não for noticiado. E depois a tigrada enche a boca, e as páginas, com suas diatribes sobre a liberdade de imprensa, que seria periodicamente ameaçada... As semelhanças com a Sicília são claras, de todo modo, mas no Brasil a omertá é praticada pelos poderosos, unidos em defesa de interesses que estão longe de coincidir com aqueles do País. Por exemplo: é admissível que Gilmar Mendes represente o poder mais alto da Justiça nativa? Coisa Nossa, sem dúvida. E o povo? Que se moa.

Dia 08/10 - Coisa Nossa e Cosa Nostra

Jean-Paul Lagarride dispensa apresentações. Velho companheiro de inúmeras jornadas, algumas amargas. Duro na queda, rijo e ágil aos setenta e poucos, um dia em Amsterdã, outro em Timbuctú, hoje nas ilhas Tonga, amanhã na dacha de Putin. Liga das Faroe para saudar meu retorno à internet, e logo observa: “Você diz que a Coisa Nossa está no poder no Brasil, na Itália Cosa Nostra está há mais tempo”. O Partido Democrata Cristão, de fato, teve ligações com a máfia siciliana e o ponto alto da relação se deu por intermédio de Giulio Andreotti, sete vezes premier. Processado nas três instâncias. Ao cabo, a suprema corte reconheceu suas responsabilidades mas chegou tarde. O delito prescrevera. O homem hoje é senador vitalício e engole hóstias todo dia. Um que não escapou à condenação foi o socialista Bettino Craxi, morreu na Tunísia, onde se refugiara, caso voltasse à Itália, passaria oito anos na cadeia.
O atual premier, Silvio Berlusconi, é algo assim como mistura de Andreotti com Craxi. Tornou-se o homem mais rico da península ao sabor de um currículo imbatível de golpes e trambiques e sua ligação com a máfia começa pelas aventuras dos seus colaboradores mais próximos. Não almoça hóstias, Craxi também não almoçava. Digo a Jean-Paul: “Pois é, mas o Brasil não precisaria seguir os maus exemplos. E ao menos Craxi foi condenado, e houve a Operação Mãos Limpas, que derrubou a cúpula do PDC e do Partido Socialista, sem contar um pelotão de empresários graúdos”. “Sim, sim – retruca – e o que adiantou? Berlusconi, com sua aliança de direita, atinge o fundo do poço, representa o momento pior na história da Itália do pós-guerra, entre outras coisas trata-se de um governo que incentiva o racismo e cria leis para garantir a impunidade dos barões”. “Bem – filosofo – a Itália fica a dez mil quilômetros de distância, e eu estou aqui”. “Bem – admite Jean-Paul – eu não o invejo”. Despede-se, está de partida para Lahore.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Ecogastronomia e Slow Food

Ultimamente tenho ouvido falar cada vez mais em preservação da natureza, conscientização ecológica, responsabilidade social e qualquer coisa que envolva o futuro verde do mundo. Apesar disso tenho visto pouca coisa mudar. Talvez, por que a pesar de muitas pessoas terem vontade de “salvar o planeta” ainda não tenham descoberto o assunto que realmente as toca a ponto de querer mudar seus hábitos.

Graças a um texto que uma professora da faculdade passou essa semana, descobri o mundo, não tão novo, da ecogastronomia – apresento a todos o meu real interesse na sustentabilidade! Sempre me preocupei um pouco com a importância de economizar água, energia, matérias não renováveis e tudo mais, mas nunca fui de fato uma pessoa empenhada e nem super informada sobre essa questão ecológica, mas admito que passei a me preocupar com várias questões ambientais depois de perceber a óbvia ligação entre sustentabilidade e o simples ato de comer.

O conceito da ecogastronomia parte da fusão entre a alimentação e o prazer de comer com consciência e responsabilidade, percebendo a ligação natural entre a comida e mundo. Para isso é necessário perceber que vivemos hoje num mundo onde tempo e ignorância são dinheiro e não seria diferente no ramo culinário. Fomos treinados por anos a não indagarmos sobre a origem e o fim dos alimentos que estamos comprando e ingerindo. Não temos mais tempo de degustar as refeições e muito menos de prepará-las. Estamos acostumados a comprar o máximo de produtos modificados e industrializados e ingerindo o máximo de material não proveitoso, ou pior, perigoso ao organismo, além de, sem nem sabermos, incentivamos os grandes produtores que em sua grande maioria cultivam a terra até a sua exaustão, utilizam e fornecem produtos de péssima qualidade, exploram a mão de obra, entre vários outros fatores que desencadeiam uma cadeia de ações negativas e que acabam na sua mesa. Esse é o mundo atual, o mundo da Fast Food, mesmo quando a comida não está exposta numa lanchonete.

Em resposta a esse valores que dominaram a sociedade industrial, Carlo Petrini fundou em 1986 o Slow Food, que se transformou em associação em 1989. Hoje é um movimento mundial apoiado por mais de 122 países.

“O princípio básico do movimento é o direito ao prazer da alimentação, utilizando produtos artesanais de qualidade especial, produzidos de forma que respeite tanto o meio ambiente quanto as pessoas responsáveis pela produção, os produtores.

O Slow Food opõe-se à tendência de padronização do alimento no Mundo, e defende a necessidade de que os consumidores estejam bem informados, se tornando co-produtores.

Através dos seus conhecimentos gastronômicos relacionados com a política, a agricultura e o ambiente, o Slow Food tornou-se uma voz ativa na agricultura e na ecologia. As atividades da associação visam defender a biodiversidade na cadeia de distribuição alimentar, difundir a educação do gosto, e aproximar os produtores de consumidores de alimentos especiais através de eventos e iniciativas.”

Partindo mais uma vez do óbvio: se a sua intenção é se alimentar bem, se preocupando com a qualidade e diversidade de nutrientes, com a utilização e renovação da terra, com a economia que será movimentada, precisa se preocupar com a variedade de produtos alimentícios que correm perigo de desaparecer (incluindo grãos, vegetais, frutas, raças de animais, etc) devido ao predomínio das refeições rápidas e do agronegócio industrial. Por tanto a Slow Food tem como uma de suas missões a defesa da biodiversidade.

Outra interessante missão da associação é a educação do gosto que defende a importância de saborear os alimentos, conhecer sua origem, quem o produz e como é preparado. Tem intenção de despertar e treinar o sentido gustativo. Além disso tem como projeto a horta e aulas de culinária nas escolas que proporciona a oportunidade do aprendizado de várias matérias escolares como biologia, ecologia, história, economia, fisiologia, entre outros além é claro cultiva, plantar e cozinhar.

“A Universidade de Ciências Gastronômicas, criada pelo Slow Food, oferece cursos acadêmicos multidisciplinares sobre a ciência e cultura do alimento. A UNISG é o caminho pelo qual o Slow Food une as inovações e pesquisas do mundo científico e acadêmico, com o tradicional conhecimento dos agricultores e produtores de alimento.”

A última missão é unir os produtores e co-produtores promovendo feiras e eventos com foco não apenas nessas categorias mas, também, nos consumidores interessados.