segunda-feira, 14 de junho de 2010

Enfrente o tédio!

Ficar impossibilitada de sair de casa tem seu lado bom. Pode te render um bom volume de conhecimento acumulado se utilizar bem o seu tempo. O fato é que não utilizei tão bem assim o meu, mas fui bem sucedida em algum momento (e ainda me restam cinco dias de esforços). Aproveitei a TV a cabo da casa da mamãe para colocar em dia filmes que todos já viram menos eu (até então).

Dia 1 - Sábado

A Era do Gelo 3


Frustrantemente, não pude ver o filme em 3D e, por tanto, a crítica não vai incluir aspectos do tridimensional (tecnologia que, apesar das tentativas, anda tão mal explorada... deixemos essa conversa para outro post).

A Era do Gelo 3 uni boa parte dos conceitos dos dois primeiros (a importância da família e a importância da amizade), mas apesar de parecer repetitiva, essa escolha acabou deixando o roteiro mais encorpado e dinâmico.

Outra boa estratégia foi incluir novos personagens que em alguns momentos roubam a cena e dão um ar de renovação ao clima já familiar dos protagonistas. A começar pelo mais carismático, Scrat, o esquilo perseguidor da preciosa noz, ganha agora uma companheira de nome Scratte. Também entra em cena Buck, uma doninha surtada que tem como objetivo de vida matar um dinossauro extremamente temido que a deixou caolha. Buck acaba se transformando no guia do grupo e nos conduz por um mundo colorido e selvagem e cheio de surpresas.

Essa mudança de cenário é outro elemento que contribui para o frescor da terceira parte da animação. Um Vale escondido que remete os espectadores mais velhos ao clássico da animação Em Busca do Vale Encantado, da um tom de nostalgia e aventura.

Em suma, o terceiro filme da série não bate o primeiro, mas supera o anterior em muito e trás aos fãs um sopro de criatividade.

domingo, 12 de julho de 2009

Maravilhas da tecnologia

Considero-me uma típica apreciadora de música - e aprecio muito. Mas, por enquanto, ainda sou daquele tipo que não toca nenhum instrumento, nunca li um livro de teoria da música (nem para iniciantes), não entendo a escala musical e suas variações e nem ser como se lê cifras, quem dirá partituras. O único contato com produção musical que tive foi uma tentativa frustrada de aprender a tocar baixo e uma única música que compus no Froot Loops (e quem conhece o programa sabe que não é preciso conhecer muito de teoria pra compor nele, basta força de vontade, paciência e o mínimo de intuição).

Pois bem, depois dessa apresentação quase constrangedora posso chegar ao ponto onde queria. Há algum tempo descobri um aparelho que não consigo tirar da cabeça: o Tenori-on. É um aparelho que produz música através de 256 leds distribuídos numa base quadrada, ou seja, 16x16 leds. A intenção é que a música seja produzida de forma intuitiva, bastando aprender a lógica dos sons que ele emite e dispensando qualquer teoria complexa. Já acho esse princípio bastante atraente, mas não para por aí. Os Leds são ao mesmo tempo botões e display. A medida que você os seleciona e vai criando a música, eles vão acendendo e criando um efeito visual que transparecem dos dois lados da base. É uma forma de transformar as ondas da sua música em experiência gráfica e dinâmica. Além dos 16x16 leds, existem seis modos diferentes que ao serem selecionados modificam os sons e as luzes, o que faz com que a possibilidade para um arranjo que não repita nenhuma nota (ou seja lá qual é o termo técnico pra isso) seja de (16x16x6 = 1536) MIL QUINHETOS E TRINTA E SEIS sons! Ele permite a criação de 16 canais diferentes, armazena os canais na memória e pode ser programado para repetir na quantidade de vezes que a música permitir ou até em loop contínuo e todas elas podem ser tocadas juntas, sincronizadas ou não. Enfim, eu poderia escrever mais algumas boas páginas sobre todas as funções e maneiras de armazenagem que ele comporta como gravar vocal e a possibilidade de copiar musica dentro de musica, mas vou deixar o vídeo explicativo da própria Yamaha que com certeza é bem mais interessante e de fácil compreensão.

E claro que não deixaria de colocar uma música feita no Tenori-on. Quem toca/canta é a Victoria Hesketh do Little Boots fazendo uma versão de Ready for the Floor de Hot Chip.

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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Mino Carta

Não acho que blog seja lugar de colar conteúdos, acho que é o espaço que se tem para produzir algo próprio. Mas não posso deixa de querer mencionar o que li a pouco no blog do Mino Carta – diretor de redação da carta capital (além de já ter dirigidos as equipes criadoras do Jornal da Tarde e das revistas Quatro Rodas, Veja, IstoÉ e CartaCapital).

Então, poderiam m dizer, por que você não escreve o que leu com as próprias palavras?

Sinceramente, eu responderia, eu não chegaria nem aos pés de um texto desses com minhas próprias palavras. Por tanto, está aí o conteúdo copiado, mas devidamente creditado!


http://www.blogdomino.com.br/

Dia 07/10 - A Coisa Nossa

Segundo o presidente do Supremo Tribunal Federal, a reportagem de capa da CartaCapital que lhe desnuda as mazelas é obra de “pistolagem”. Ocorre-me uma dúvida, a seu modo atroz: será que o nosso varão de Plutarco tem familiaridade com pistolas? Creio que melhor entenda de lupara, a espingarda de cano serrado em uso na máfia siciliana. Aliás, já disse das semelhanças entre Brasil e Sicília nos blogs de Paulo Henrique Amorim e de Bob Fernandes, que me procuraram depois da reação de Mendes publicada pelo O Globo de sábado passado. Lá é Cosa Nostra, aqui Coisa Nossa. A máfia siciliana conta com a lei do silêncio imposta ao povo, a trágica omertá, que engole e cancela as ações criminosas cometidas pelas famiglie malavitose. Aqui o estrondoso silêncio é praticado pela mídia, na certeza de que o fato não ocorre se não for noticiado. E depois a tigrada enche a boca, e as páginas, com suas diatribes sobre a liberdade de imprensa, que seria periodicamente ameaçada... As semelhanças com a Sicília são claras, de todo modo, mas no Brasil a omertá é praticada pelos poderosos, unidos em defesa de interesses que estão longe de coincidir com aqueles do País. Por exemplo: é admissível que Gilmar Mendes represente o poder mais alto da Justiça nativa? Coisa Nossa, sem dúvida. E o povo? Que se moa.

Dia 08/10 - Coisa Nossa e Cosa Nostra

Jean-Paul Lagarride dispensa apresentações. Velho companheiro de inúmeras jornadas, algumas amargas. Duro na queda, rijo e ágil aos setenta e poucos, um dia em Amsterdã, outro em Timbuctú, hoje nas ilhas Tonga, amanhã na dacha de Putin. Liga das Faroe para saudar meu retorno à internet, e logo observa: “Você diz que a Coisa Nossa está no poder no Brasil, na Itália Cosa Nostra está há mais tempo”. O Partido Democrata Cristão, de fato, teve ligações com a máfia siciliana e o ponto alto da relação se deu por intermédio de Giulio Andreotti, sete vezes premier. Processado nas três instâncias. Ao cabo, a suprema corte reconheceu suas responsabilidades mas chegou tarde. O delito prescrevera. O homem hoje é senador vitalício e engole hóstias todo dia. Um que não escapou à condenação foi o socialista Bettino Craxi, morreu na Tunísia, onde se refugiara, caso voltasse à Itália, passaria oito anos na cadeia.
O atual premier, Silvio Berlusconi, é algo assim como mistura de Andreotti com Craxi. Tornou-se o homem mais rico da península ao sabor de um currículo imbatível de golpes e trambiques e sua ligação com a máfia começa pelas aventuras dos seus colaboradores mais próximos. Não almoça hóstias, Craxi também não almoçava. Digo a Jean-Paul: “Pois é, mas o Brasil não precisaria seguir os maus exemplos. E ao menos Craxi foi condenado, e houve a Operação Mãos Limpas, que derrubou a cúpula do PDC e do Partido Socialista, sem contar um pelotão de empresários graúdos”. “Sim, sim – retruca – e o que adiantou? Berlusconi, com sua aliança de direita, atinge o fundo do poço, representa o momento pior na história da Itália do pós-guerra, entre outras coisas trata-se de um governo que incentiva o racismo e cria leis para garantir a impunidade dos barões”. “Bem – filosofo – a Itália fica a dez mil quilômetros de distância, e eu estou aqui”. “Bem – admite Jean-Paul – eu não o invejo”. Despede-se, está de partida para Lahore.